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sábado, 8 de janeiro de 2011

Benditas Férias, Lula!


Enquanto Lula passava a semana no Forte dos Andradas, área militar que escolheu para seu veraneio em família, Dilma se escondia no Palácio do Alvorada atrás de medidas que soavam como uma arrumação na casa. A nova presidente não fez nenhuma aparição pública. A imprensa em geral justificou este sumiço pintando Dilma como workaholic, dedicada, metódica, pontual e outros adjetivos positivos. Pura bobagem! Outro suposto motivo para seu desaparecimento (e o mais popular entre o palacianos) seriam as férias de seu imprescindível cabeleireiro, Celso Kamura. Férias bem convenientes, diga-se...

“Benditas férias de Kamura!” é o som do alívio que ecoa nos corredores do Palácio. A primeira semana sem Lula teve a mesma cara de seus oito anos de governo: repleta de escândalos. Começou com as próprias férias de Lula, em um forte militar, na cidade praiana de Guarujá. O ex-presidente e sua família se hospedaram lá da mesma forma que faziam quando ainda estavam no poder. Mas não estão mais, por mais inaceitável que lhes pareça. Imediatamente a imprensa nacional questionou a legalidade disto. Afinal, um ex-presidente tem o direito de usufruir instalações públicas para seu lazer? Claro que não. Por isso, imediatamente, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu que Lula estava lá convidado por ele. E pode? Claro que não, de novo. Mas todos aceitaram, como de praxe. Mas, como tudo na terra de Lula, não ficou por aí. Um dia depois surgiu um novo escândalo: os filhos de Lula haviam renovado seus passaportes diplomáticos a poucos dias do final do governo. Bomba! Depois do assunto assumir proporções incomodáveis para os petistas, o filho do ex-presidente, Marcos Lula, disse no Twitter que iria devolver o seu. Em tom de revolta, assumiu a posição de vítima, falou que nunca tinha usado o passaporte e que aquilo era golpismo da imprensa. Muitos petistas saíram em defesa da legalidade de Marcos Lula usar o passaporte. Porém, ele nunca teve direito. Filhos de autoridades só podem usufruir de passaporte diplomático até os 24 anos – e se estudarem (costume não difundido entre os Lulas!) Mas há uma brecha na lei: caso o dependente tenha algum tipo de deficiência, não há limite de idade. A não ser que Marcos Lula, de 39 anos, tenha algum tipo de doença mental hereditária (o que não causaria surpresa), o uso do passaporte por ele é ilegal. Mesmo que fosse deficiente, sendo assim, permitido - agora não seria mais, já que Lula não é mais autoridade...

Lula não é mais autoridade! Mas a postura autoritária não lhe deixa. No apagar das luzes de seu governo tomou medidas que constrangeriam qualquer petista com o mínimo de vergonha na cara. Essas medidas ecoam no início do governo Dilma como fantasmas. “Bendidas férias de Kamura!”, realmente... Se Dilma tivesse seguido o exemplo, exibicionista, de seu antecessor, estaria em uma posição complicada. Não é segredo que Dilma tem dificuldade em se expressar. Mais precisamente de completar raciocínios. Caso ela tivesse dado entrevistas esta semana, teria sofrido com uma exposição negativa. Mas, ao se esconder, a (sim!) herança maldita de Lula não lhe atinge, a princípio. Precisamente por Dilma ter assumido, aparentemente, uma postura totalmente diferente da de Lula. Seu governo passa uma imagem mais responsável e pragmática. A começar na primeira segunda-feira do ano, quando foi anunciado o interesse em privatizar alguns aeroportos. Se isso for realmente verdade, e Dilma se mostrar mais preocupada com as ações de seu governo do que com as manchetes, ela seria (totalmente) diferente de Lula. Mesmo que não seja verdade, as diferenças entre os dois governos já são evidentes. Já, de cara, pelo controle da base aliada. Lula sempre foi o “Sr. Governabilidade”. O PT estava no seu bolso e outros partidos eram agraciados com cargos, promessas e mensalões. Todo mundo de bolso cheio! Lula conseguia unir interesses conflitantes dos outros em prol de seus interesses pessoais. Lula criou um monstro... Claro que isto não daria certo! Agora Dilma sofre numa crise PT x PMDB. A briga por cargos assume proporções inacreditáveis. Quanto maior a verba controlada, pior. Pois, quanto mais dinheiro em jogo, mais lucrativo. Mas não são só PMDB e demais partidos da base que estão insatisfeitos. Vários petistas também. Eles se sentem injustiçados: “Dilma é uma mal agradecida”. É de entender, afinal, os reclamantes investiram pesado na campanha de Dilma. Se esforçaram para elegê-la e, muitas vezes, com métodos escusos. Agora que esperavam lucrar: “nenhum carguinho?”

Mesmo que Dilma estivesse com as melhores das intenções, a máquina que foi criada para elegê-la não a permitirá governar sem ser "recompensada". Os últimos anos de governo Lula os deram a sensação de “indestrutíveis”. Eles ganharam muito em 8 anos, mas não estão satisfeitos – querem mais! Mas, não se animem, as intenções de Dilma não são altruístas. São uma questão de sobrevivência. Ou ela apertas os cintos, ou o Brasil entrará numa crise. Dívida pública superando trilhão, restos a pagar do governo Lula beirando os 150 bilhões e inúmeros gastos programados de um Estado inchado. Dilma precisa mudar a forma de governar o país ou afundará nossa economia num caos e correrá o risco de nem terminar seu mandato. Porém, com seus aliados querendo mais e mais, ela terá uma missão de não dar inveja a ninguém. Nem ao ex-presidente... Benditas férias, hein, Lula?!

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